segunda-feira, 14 de abril de 2014

Entrevista: Aldo Fornazieri - Corrupção é questão política e moral


    

Corrupção é questão política e moral

Cientista político comenta a queda de mais um ministro no governo Dilma
 
 
Dilma pode ter sua imagem prejudicada por causa dos sucessivos escândalos de corrupção  / Timothy a. Clary/AFP
Dilma pode ter sua imagem prejudicada por causa dos sucessivos escândalos de corrupção
 
 
A corrupção no Brasil é uma questão política e moral. Essa é a opinião do cientista político e Diretor Acadêmico da FESPSP (Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo), Aldo Fornazieri. Após a queda de mais um ministro do governo Dilma Rousseff nesta quarta-feira, o especialista afirmou que falta punição no Brasil.

“Há um descuido muito grande e uma irresponsabilidade de órgãos de controle em relação a esses desvios na esfera pública”, diz Fornazieri. Ainda segundo o cientista político, as estimativas dos números da corrupção são bastante altas, cerca de R$ 50 bilhões por ano são perdidos com a corrupção. “Valor que daria para atender diversas necessidades da população”, completa.

O professor ressalta ainda que existe uma leniência do sistema político e judiciário ante aos casos de corrupção registrados no país, incluindo o caso dos ministros. Desde o início do mandato de Dilma, seis parlamentares deixaram o cargo – cinco por suspeitas de envolvimento em corrupção. “O Judiciário não condena ninguém efetivamente, não há ninguém preso por atos de corrupção”, afirma.

Impunidade


“Apesar de a Polícia Federal fazer um trabalho intenso de investigação e até algumas prisões, até agora ninguém permaneceu preso. O Judiciário e as instâncias do Judiciário interpretam a lei a favor dos corruptos, é preciso que se lance uma luz sobre eles para acabar com o fim da impunidade”, diz ainda o especialista.

De acordo com o cientista político, atualmente a punição para políticos envolvidos em casos de corrupção é perder o cargo, “mas isso é insuficiente para atemorizar os corruptos. Tem que ter legislação para desmotivar a prática”, diz. “Acho que é preciso criar um estatuto contra a corrupção, como na Colômbia. Além disso, há outros países com leis muito severas contra a corrupção”, acrescenta.

Demora

Fornazieri acredita que, no caso da saída de Orlando Silva, houve demora da presidente Dilma em demiti-lo. “[Silva] era um peso desgastado. Não era um mero denuncismo, existem evidências fortes que ele não tinha mais legitimidade para continuar”, diz. Isso “provoca quebra da confiança da população e quebra legitimidade dos políticos”, afirma ainda.

O cientista político acredita que as sucessivas denúncias de corrupção envolvendo os ministros de Dilma pode também prejudicar a imagem da presidente, por isso, o governo deverá ser mais proativo após a saída de Silva.

“Tem que desalojar esses bolsões de corrupções. A responsabilidade agora é dela [da presidente]”, diz. “Ela herdou um ministério a partir de uma aliança, mas de agora em diante o ônus [da escolha dos novos ministros] vai ser dela, principalmente a partir da reforma ministerial que deve acontecer em janeiro”, completou.

Reação

Para Fornaziere, a presidente tem agora a missão de escolher um substituto com perfil político e gerencial. Isso é necessário, segundo ele, para garantir o andamento das obras para a Copa de 2014 e Olimpíadas.

Por outro lado, o professor vê um lado positivo na crise. Para ele, a opinião pública mostra, cada vez mais, que não tolera a corrupção e pressiona para o afastamento dos responsáveis, apesar de ainda se sentir desanimada com a impunidade. 

“Há uma reação quase que em cadeia quando as denúncias começam aparecer. Vejo um processo positivo, porque está ficando cada vez mais evidente que na era das comunicações, da internet, que o governo e o gestor – neste caso o ministro – ou ele tem legitimidade ou não consegue permanecer no cargo”, avalia.



Fonte: http://noticias.band.uol.com.br/brasil/noticia/?id=100000464568
 

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